SEMINÁRIO DE CAPARIDE

"O JUSTO FLORESCERÁ COMO A PALMEIRA" (Sl 92)

VOLUNTARIADO COM MARIA


 

“Ouvir muito, falar pouco, rezar tudo”, foi esta a frase que me foi acompanhando durante as duas semanas de voluntariado no Hospital Santa Maria. E de que maneira fui pondo em prática esta frase nessas duas semanas?

“Ouvir muito”. Foi das partes mais fáceis e comuns do tempo em que lá estive. Ora ouvia as pessoas com algum tipo de doença a partilharem os seus problemas tanto familiares como de saúde, e claro, acontecia que quase sempre mostravam os locais das suas cirurgias, ora ouvia as enfermeiras a nos mandarem sair dos quartos. Depois, o “falar pouco”. Foi, sem sombras de dúvida, o mais difícil. Foi o ganhar consciência que não estava ali para ser o centro, mas estava ali a prestar um serviço à Capelania que implicava muitas vezes estar somente com a pessoa e ouvir aquilo que a mesma quisesse partilhar comigo. Ouvindo, algumas vezes, coisas que não cabiam na cabeça de ninguém, sendo que, por vezes, havia uma luta constante para não começar a criticar as pessoas, mas ir compreendendo a pessoa e conhecendo-a. “Rezar tudo” foi a parte mais importante de todo o tempo de voluntariado. Ao rezar pelas melhoras das pessoas e por aquilo que me iam pedindo para rezar, começou a fazer sentido o porquê de fazer o voluntariado no Hospital Santa Maria. Comecei a olhar o voluntariado não com um olhar unicamente humano, mas, acima de tudo, com olhar cristão.

Foi um tempo importante em que fui aprendendo a crescer na disponibilidade de escutar o outro, na atenção ao outro, na consciência de que a cura do outro me era impossível. Foi um tempo onde me deparei com a minha impotência face às doenças que as pessoas tinham. Reaprendi que num escutar, num sorrir, num agradecer existem muito mais palavras do que numa conversa. Aprendi, com Maria, que a minha vida deve ser uma contínua oblação ao outro, sem medos nem anseios. É preciso dizer sim a Deus através dos outros.

Fábio Alexandre  | Ano Propedêutico

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