PRÉ-SEMINÁRIO DE LISBOA

O PRÉ EM SAÍDA… COM MISERICÓRDIA – “PERDOAR AS INJÚRIAS”


 

Já vamos adiantados neste percurso da Quaresma e certamente cada um vai tentando ser sensível a este tempo, propondo a si próprio vários exercícios e gestos espirituais.

Se a Quaresma é por excelência tempo de pedirmos perdão a Deus, não é estranho que seja também tempo de sermos também nós capazes de dar esse mesmo perdão aos outros. Não nos aconteça como aquele servo do Evangelho que depois de ver perdoada a sua grande dívida, não é capaz de perdoar uma quantia bem mais pequena a alguém que lhe devia uns trocos (Mt 18, 23-35).

O exercício do perdão treina-se na medida em que vou adquirindo a humildade necessária para o pedir, mas também ao mesmo tempo, na prontidão e verdade com que vou aprendendo a concedê-lo a quem me prejudica. E em que consiste então esta acção do perdão? Como posso perdoar? Tantas vezes ouvimos dizer que perdoar é esquecer. Como se nos desse uma “amnésia” de que alguém nos ofendeu de alguma maneira.

Mas o perdão à maneira de Jesus é outra coisa, é a possibilidade de um caminho novo que faço a par r daí com aquele que perdoo. O perdão liberta o outro da sua falta e liberta-me também a mim. É algo que beneficia as duas partes. Quanto mais perdoo, mais o meu coração vai crescendo e permitindo caber nele o amor de Deus. E quanto mais sou perdoado, mais vou sentindo o efeito do amor de Cristo que por meio dos outros se manifesta.

Assim sendo, o perdão permite um caminho conjunto, de responsabilidade mútua, em que posso ajudar o outro a emendar-se. Caso contrário, ainda que de maneira involuntária, não permito que o outro colha os frutos de paz e de conversão que o perdão traz consigo. Será sobre o perdão que nos debruçaremos no próximo encontro de formação. O perdão a sério e não aquele perdão que vem apenas do resultado de andarmos a comer muito queijo e por causa disso, cairmos numa mera atitude de esquecimento.

Pe. Fernando Escola, março de 2016

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